Passando o tempo

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Metrô até Si Lom e Skytrain até Saphan Taksi pra pegar um barquinho até o posto 9 do Chao Praya.

Tudo isso pra ver o que é que o monge tem.

Gosto do lençol laranja que vestem, do corte de cabelo prático e das regalias (não paga passagem de trem, metrô ou barco) mas queria ver um pouco mais antes de considerar a conversão.

Achei o templo e resolvi usar minha fluência em tailandês com alguns monges na entrada. Em pouco tempo, estávamos entretidos num jogo de mímica e advinhação que me rendeu absolutamente nenhuma informação. Nos despedimos e resolvi seguir o som de um mantra sendo entoado nas profundezas do templo. Alguns budas dourados e fontes carposas depois, encontrei o centro de meditação monástico. Os monges sorridentes me direcionaram ao fundo onde, sentado em lótus na ponta de um tablado de madeira, encontrei o Dalai Lama.

É pertinente mencionar que todo tiozinho asiático vestido de monge e óculos parece o Dalai Lama e chegando perto, percebi que esse era mais um. No entanto, esse tiozinho era o instrutor de meditação e quando me aproximei, ele saiu do transe, abriu um olho e indicou com o olhar para que eu me sentasse. Sentei imediatamente. Com um olho, o tio já comandava respeito. Buda me livre de ele ter que abrir o outro.

Meditação Vipassana é a preferida de 10 entre 10 monges budistas. Consiste de meditação sentada e meditação andada. Começamos com a andada, onde cada movimento é feito 3 vezes, vagarosamente. Levante o pé, mova o pé, pise. Levante o pé, mova o pé, pise. Levante o pé, mova o pé, pise. Pare. De pé, de pé, de pé. virando, virando, virando. Levante o pé, mova o pé, pise. Etc, etc, etc…

Em seguida, sente em posição de lótus (tipo indio, mas com a planta do pé virado pra cima), feche os olhos e concentre no movimento do abdomen enquanto respira. Aguente o quanto puder e quando começar a doer, repita 3 vezes: sentindo, sentindo, sentindo. Se algo coçar, repita 3 vezes: coçando, coçando, coçando. Quando cansar, repita 3 vezes: que saco, que saco, que saco.

Tiozinho nos orientou, com seu olhar fulminante, a alternar as meditações enquanto ele ia dar um rolé, fumar um tabaquinho sagrado, sei lá…
Ficamos nessa, eu e o resto da turma: uma francesa corcunda e um alemão concentrado. Ela parecendo um “C” meditando e ele repetindo seus movimentos em alemão com uma austeridade nazista.

Fiquei alternando as meditações esperando Tiozinho voltar, mas depois de 3 horas, achei que já estava devidamente meditado e desencanei.
Assim que desci do tablado, a francesa me viu, soltou um “graças a Dieu” sonoro, pegou seu colchãozinho e me seguiu. O alemão abriu um olho, verificou que Tiozinho não havia voltado com a carta de alforria, nos olhou com reprovação e permaneceu.

Passamos por Tiozinho na saída que nos disse que era hora do intervalo mesmo, pra voltar amanhã se quiséssemos, pra ter um bom dia, tomar cuidado com os lady-boys e pra não fazer nada que ele não faria. Tudo isso com apenas um sorriso.

Devo dizer que fiquei impressionado.
Aproveitei e me inscrevi num curso de culinária Thai um pouco mais “roots”. É gratuito também. Eu só preciso fornecer os insetos. Mmmmmmmmmmm…

2 Responses to “Passando o tempo”

  1. Carol Costa Says:

    Por favor, por favor, POR FAVOR, me diz que você NÃO comeu esse escorpião!!!

  2. admin Says:

    Eu nao! Nao se come escorpiao! Barata sim. Barata é gostoso e faz crescer.

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