It’s all sweet, eh bru?
Sou uma puta pra sotaques.
Pego qualquer um.
E pego sem preconceitos.
Criei ate um acervo.
Nada expressa surpresa, como um “Bah!” gaucho.
So o “deixe disso…” baiano realmente traduz sossego.
E so o “trem bao” do “mineirin” explica sem precisar de detalhes.
O “R” interiorano faz a bebida ficar mais foRte e me deixa bem toRto no fim da night.
O sotaque carioca eh perrrrrfeito pro malandro que so usa vogais… “iii!! aeee!! Oh, o cara aeee”…. e o paulista, pros truta que se respeita… ceRto, mano?
Em ingles, nao muda.
O sotaque texano me faz caipira, o da Louisiana mostra que estou relaxado, o nova-iorquino (por alguma razao desconhecida) comanda respeito, o californiano confirma que sou “cool”, o britanico me deixa esnobe, e o irlandes faz todo mundo rir.
Se quero sofisticacao, uso o ingles com sotaque frances, me faco de desentendido com o ingles indiano, expresso surpresa e admiracao com um longo “oooohhhhh” asiatico e confirmo tudo com um “yeah mon” jamaicano.
Gosto tambem das combinacoes.
Ja casei o “cheers” britanico com “bro”, mas uso a versao Neo-zelandesa que soa como “bru”. Alterno “dude” “mate” e “man” com meu uso do australianissimo “no worries” e o “Fuck You” geral, sai com o “Fack” sul-africano e o “Y’ all” americano.
A maioria acha que sou americano, alguns juram que sou canadense e quem quer me ofender diz que tenho cara de argentino.
Mas, na verdade, sou apenas um canceriano sem lar que nasceu em setembro, um residente global morando na Australia, um professor de ingles brasileiro.
Decifra-me ou devoro-te.