O inverno chegou
Saturday, June 23rd, 2007Esfriou aqui.
E veio a tempestade.
Chegou arrastando petroleiros. Literalmente. Tem um, que ate hoje, depois de duas semanas, continua encalhado na praia de Newcastle…
Chegou arrasando. Matou dez, deixou a regiao norte-nordeste de Sydney sem luz, carros virados, ventos ciclonicos, bla, bla, bla, bla bla…
E no meio de tudo isso: Marina (nossa heroina).
Marinete encontrava-se ilhada em Maroubra. Seu carro havia sido vendido. Operadoras de taxi nao atendiam. E correr ate o ponto de onibus… so de mascara e snorkel.
Por sorte era seu aniversario, portanto Marina usou do power de seu birthday wish para pedir uma carruagem turbo-voadora em forma de bolha de sabao. Flutuando entao, sob os ceus negro-tempestade de Sydney, Marina viajava da distante e paradisiaca Maroubra ao tempestuoso reino de Kings Cross!!
Kings Cross eh o que Sydney oferece em termos de Sodoma e Gomorra. Casas de massagem, bares e baladas que viram a noite… your basic sex drugs and rock n roll. Marination pousou com sua bolha-nave, lentamente, na Victoria Rd. Parecia uma santa descendo das nuvens, uma enviada dos ceus, com a missao de por um fim naquela esbornia toda.
Mas, por fim na balada nao eh o estilo de Marina, nossa heroina. A balada era dela. Sua balada de aniversario.
Entao, foi so a bolha tocar o chao pra estourar. E Marinete cool, centrada e acima de tudo, seca, adentrou o tapas-bar/danceteria conhecido como El Barrio. Enquanto a tempestade rugia la fora, dancavamos, comiamos e bebiamos celebrando o aniversario de Marina. Se nao me engano, a tempestade comecou naquele dia. No dia do aniversario da Marina. No dia da realizacao plena de que ela, em breve, iria embora.
Passaram-se semanas. As tempestades vinham como as baladas de despedida. Uma atras da outra, sem intervalo.
E agora Marinete se foi.
Comecou a longa trilha de volta pra casa.
Singapura por um dia, pra poder chegar em Londres e ai sim, ir pra Espanha, afim de encontrar amigas de outras epocas. Eh preciso dar uma espairecida antes de chegar no Brasa e enfrentar o que for encontrar por la.
Comecar outra vida.
Sabemos que ela foi porque precisava ir. Sabemos que eh a coisa certa a fazer. Mas Sydney, como nos, ficou bravo que ela tinha que ir embora. Formou uma nuvenzona negra em cima da cabeca.
Chorou por duas semanas sem parar aqui.
E agora Marina se foi.
Hoje saiu o sol.
Mas continua frio aqui.
Ma, as cartas de adeus vao sempre existir.
Forca, maninha.
A gente vai se cruzando por ai.
Te amo.